quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Livros

Na era do digital onde se lê o ecrã de um computador, onde existem hiperligações no decorrer de uma leitura, onde as histórias são passadas de e-mail em e-mail, onde nada é nosso e tudo é de todos, ainda existem pequenos grandes tesouros que podemos guardar na nossa memória, no nosso coração e nas nossas mãos. Esses tesouros chamam-se livros. Apesar do preço excessivo os livros são pedaços de alguém que um dia os escreveu. No fundo descrevem características tão próprias do seu autor como das personagens que vagueiam pelas páginas encadernadas de um livro.

Um livro é um pedaço das gentes, das almas, dos sentimentos. É uma partilha no fundo. A imaginação pode levar-nos bem longe. Quanto tempo demorou a escrever uma página daquele livro? Quanto tempo demorou a idealizar aquela história? Quanto tempo demorou a pensar, a envolver as palavras numa camada suave de carinho e ternura? Quanto tempo demorou a colocar em folhas de papel uma narrativa repleta de amor? Sim, porque quem escreve tem amor por aquilo que faz. Porque quem escreve demora tempo a imaginar, a traduzir emoções, a pensar no que quer dar a conhecer. Porque quem escreve vive a sua história de forma intensa e muito pessoal.

Quem lê absorve uma quantidade de afectos que se sentem vivos no folhear de cada página. Quem lê procura uma identificação naquelas palavras. Quem lê encontra magia na história que alguém escreveu. Quem lê descobre a companhia inconfundível e insubstituível que um livro pode ser. Quem lê cruza as vivências e as emoções de cada linha com as suas.

Não será fácil escrever um livro. Não será fácil, de certo, depositar sensações tão pessoais numa resma de papel. Não será fácil, com certeza, enredar tramas, desenvolver assuntos, imaginar situações, conduzir uma narração repleta de descrições, e, por certo, não será nada fácil captar e traduzir por palavras aquilo que nos vai na alma.

Livros são portas escancaradas para o mundo lá fora. São visitas guiadas aos locais mais inóspitos do planeta terra, da alma de cada um. Livros são mãos que nos seguram e nos afastam da nossa vida por alguns instantes e nos permitem sonhar, viver, descobrir sensações e vivências que, de outra forma, não seriam possíveis. Livros são amigos que nos envolvem na magia de um relato. São escapes, são alento.

Não só têm a vantagem de nos levar por caminhos utópicos, de nos dar a conhecer culturas diferentes, sítios diferentes, pessoas diferentes como ainda nos ensinam a escrever e a falar melhor. Ensinam-nos também que a literatura está repleta de formas características e únicas dependendo de quem escreve. Existem estilos diversos, histórias diversas, temas diversos. Por entre as folhas de um livro temos a oportunidade de conhecer quem o escreveu. Por mais distante que o relato pareça, o seu autor está lá, bem presente a cada folha.

Livros são ajudas, verdadeiros companheiros contra a solidão, janelas abertas para a vida. Por ter a honra de poder ler e imaginar digo: Ainda não se paga para sonhar e no dia em que isso acontecer, mudo-me para outro planeta.

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